Enviar para um amigo Versão para impressão

Matérias

 

Encontro de síndicos



Apesar de haverem diferenças entre empresas e condomínios, as duas formas de organização utilizam métodos muito semelhantes para alcançarem seus objetivos. Enquanto a empresa visa o lucro, o condomínio busca gerar qualidade de vida aos seus moradores. Contudo, ambas dependem do envolvimento e competência das pessoas responsáveis pelo seu funcionamento.

 

No caso das empresas, quando mal administradas, a porta que se abre é a da falência. Nos condomínios mal administrados o que se verifica é mau humor, tédio e frustração dos condôminos. Não é raro se chegar a prédios residenciais do Distrito Federal e percebê-los mal cheirosos, desbotados, onde se constata que as pessoas que moram ou trabalham neles sofrem por falta de auto-estima e vivem em atritos umas com as outras, sem vislumbrar melhores condições de vida.

Preocupado em melhorar a vida nos seus condomínios um grupo de síndicos realiza encontros na Ceilândia, Taguatinga e Samambaia, a fim de encontrar e compartilhar soluções. São eventos que, a cada edição, reúnem um grupo maior de interessados.


Da iniciativa


As dificuldades inerentes à função e o isolamento em que vivem levou alguns síndicos se reunirem no primeiro encontro ocorrido na Ceilândia, no dia 18 de setembro de 2004. “Quem administra é cobrado e, para desempenhar bem a função, é imprescindível que se organize e aprimore seus conhecimentos, pois o trabalho é complexo e as condições são precárias”, justifica Nilson Furtado, responsável pela iniciativa.


A pauta dos encontros trata das responsabilidades que os síndicos têm perante a sociedade, as leis e os mercados de trabalho e consumo. Os condôminos sofrem trágicas conseqüências quando eles exercem sua função com inexperiência ou má fé. Mobilizados os síndicos se buscou orientação e apoio de autoridades no assunto, o que se encontrou na ASP - Administradora de Condomínios.


A iniciativa deu certa e logo ficou clara a necessidade de expandir o movimento para Taguatinga e Samambaia. Estas cidades crescem verticalmente e há milhares de famílias que vivem em edifícios condominiais, o que torna a boa administração do condomínio uma exigência social.


Nos encontros os síndicos se informam sobre como convocar e conduzir assembléias, escrever atas, lançar editais, fazer previsão orçamentária, planejar, gerir recursos humanos e materiais, intermediar conflitos, com exemplos de erros e acertos presentes no dia-a-dia. Na opinião de Osonio Ramos, diretor da ASP, “esses encontros servem de modelo para um novo conceito de administrar condomínios no Distrito Federal”.


Depoimentos


No final do cada encontro os depoimentos dos participantes são esclarecedores da importância dos eventos:

“Fui eleito na semana passada e estou assumindo o condomínio nesta semana. Recebi a visita do síndico Júlio César Bravo que me convidou para participar desse encontro. Gostei de participar porque é bastante esclarecedor para quem é marinheiro de primeira viagem, como eu, que nunca havia sido síndico e moro em condomínio há menos de um ano. Agora começo a entender como funciona este universo. Acredito nesse movimento pela troca de experiência e distribuição de conhecimento que ele proporciona ”.

Bruno Abrantes, analista de sistemas, síndico do bloco A da QNL 17, Taguatinga.


“Esta é a minha quarta participação nesses encontros. O primeiro ocorreu no salão de festas do meu bloco. Podemos chamar isso de um movimento de interessados em administrar aquilo que é coletivo. Tem muita gente despreparada para exercer a função de síndico e aceita por conseqüência ou conveniência. Nós realizamos esses encontros fundamentados na honestidade. Os resultados são significativos.”

Roberto Ramos Macedo, síndico do edifício Santa Clara, Ceilândia Centro.


“Estou participando pela quarta vez. Tive interesse maior porque eu não tinha informação nenhuma, então esses encontros abrem mais minha visão. Aqui tiramos dúvidas, recebemos orientações esclarecedoras de advogados e administradores. Para mim é importante, pois possibilita meu crescimento enquanto administradora do meu condomínio. Muitas coisas que eu fazia errado agora estão corrigindo, como por exemplo, a aplicação de multa aos condôminos antes de notificá-los.”

Regina Castro, síndica do edifício Mar Negro da QNL 19, Taguatinga.


“A conscientização é válida para esclarecer que ser síndico é um trabalho que requer preparação e conhecimento e não apenas boa vontade. A organização tende a melhorar a vida em comum. O condomínio é a coletividade. O síndico que sabe dos seus direitos e deveres com certeza vai compreender melhor o condômino e respeitá-lo, o que permite a integração entre as pessoas. Agindo corretamente o síndico recebe o apoio dos condôminos e diminui o problema da inadimplência. Às vezes os condôminos não pagam as taxas por implicância à pessoa do síndico, mas quem sofre é o condomínio, pois se as despesas não forem pagas fica sem luz, sem água e os funcionários deixam de receber. E se houver problemas na justiça, até os apartamentos dos condôminos poderão ser penhorado”.

Clarice Pereira Pinto, advogada, consultora jurídica para assuntos condominiais.

Para participar dos encontros confirmar a presença pelos telefones (61) 8419.9291 (Nilson) e 8123.6164 (Júlio).




Matérias