
Cada dia fica mais evidente a necessidade de profissionalização em todas as áreas. A de atendentes em portarias de condomínios, não foge à regra. Poucos se dão conta, mas um profissional qualificado na guarita de um condomínio significa melhora nas relações públicas, maior segurança, menos transtornos de ordem técnica e a disponibilidade de um agente de primeiros socorros bem perto da gente. Investir na formação profissional de porteiros significa contar com todos esses recursos que só o ser humano pode oferecer.
Depois de participar do CAPAZ - Curso de Aperfeiçoamento de Porteiros, Administradores e Zeladores, oferecido pela ASP Administradora de Condomínios, Francisco Artur, porteiro do bloco “D” da SQN 208, esclarece que nunca teve “grandes problemas no relacionamento humano. Mesmo assim é importante aprender que não devemos tratar de igual modo pessoas exaltadas mantendo diante delas um comportamento estável e profissional. No atendimento aos primeiros socorros, na prevenção a assaltos, na supervisão técnica do prédio eu era completamente leigo. Se houvesse um curto circuito com incêndio eu correria em busca de baldes de água para apagar o fogo. Agora sei que devo usar o extintor e sei direitinho como usá-lo”.
No decorrer do curso são identificadas e debatidas as principais dificuldades da profissão que, de modo geral, giram em torno da comunicação pessoal. Visitante que não quer se identificar é um dos maiores problemas, seguido da falta de diálogo entre condôminos, síndicos e porteiros. Apresentação correta e educação fazem crescer o respeito profissional. Preconceitos devem ser abolidos: cor, credo e condição social não determinam caráter, nem grau de humanidade. A discriminação é prejudicial tanto a quem sofre quanto a quem exerce.
O dia a dia
Os porteiros reclamam dos moradores que reclamam sem conhecimento de causa. Por exemplo: os moradores em geral desconhecem que os estacionamentos dos blocos não são privativos e acusam os porteiros de negligência quando carros estranhos estão ali estacionados. O disk-entulho é outro drama: condôminos que estão reformando seus apartamentos não respeitam a orientação do porteiro e outros condôminos reclamam dos transtornos. Problemas técnicos com controles, câmeras, registros e interruptores que não funcionam atrapalham bastante a vida de qualquer profissional de portaria.
O livro de ocorrência é o diário do condomínio que serve, entre outras coisas, para registrar reclamações. Porém nem todos querem oficializar suas críticas fazendo-as apenas verbalmente. Estas, quando transmitidas indevidamente, soam até como fofoca. Nada que leve a soluções sensatas. Contendas de casais, intrigas pessoais entre moradores e outros casos semelhantes, tendem a envolver porteiros em questões que não lhes compete.
Um porteiro capaz sabe agir diante das situações mais estranhas.