Repórter: Élton Skartazini


Lançado durante a ‘V Convenção de Contabilidade’ realizada no Distrito Federal em outubro de 2003, o programa ‘Contabilizando o Sucesso’ resulta de parceria entre o Conselho Federal de Contabilidade e o Sebrae. Foi idealizado com base em experiências ocorridas no Rio de Janeiro e Minas Gerais, a fim de fortalecer este segmento que reúne mais de 350 mil profissionais e 61 mil organizações em todo o Brasil.
O programa destina-se a profissionais e proprietários de organizações contábeis que atendem, preferencialmente, micro e pequenas empresas. Em 217 horas o curso aborda: jogo de empresa; gestão simulada; habilidades consultivas do contabilista; gestão estratégica. O módulo complementar contém: análise conjuntural; marketing; custos e preço de venda; gestão de pessoas; capital de giro e fluxo de caixa; análise de viabilidade econômico-financeira; diagnóstico empresarial.
Para receber o certificado o participante deve apresentar um trabalho prático com o tema: ‘O contabilista e o processo de ajuda - posturas e competências’. Cindy Mageste, técnica da unidade de orientação empresarial do Sebrae/DF, responde com detalhes.
Repórter – Como e para que surgiu o programa ‘Contabilizando o Sucesso’?
Cindy – Este programa é uma iniciativa do Conselho Federal de Contabilidade (CRF) formatado com o apoio do Sebrae. É realizado pelos Conselhos Regionais de Contabilidade e Sebrae’s estaduais. O objetivo principal é possibilitar aos contabilistas a capacitação gerencial das micro e pequenas empresas. Os profissionais começam aprendendo a gerenciar suas próprias empresas contábeis e se tornam agentes de transformação para uma melhor gestão empresarial. Pesquisas indicam que grande parte das micro e pequenas empresas fecham em menos de um ano por falta de capacitação gerencial. Este programa foi criado para reverter essa situação. Normalmente o primeiro contato do empreendedor com o mundo dos negócios é o seu contador, com quem ele busca informações. Então o programa visa fornecer ao contabilista uma ferramenta para a boa gestão dos seus clientes e em troca ele contribui com o Sebrae na redução do índice de mortalidade das micro e pequenas empresas.
Repórter – Então, a partir deste programa o contador pode contribuir substancialmente com o sucesso das empresas que ele atende?
Cindy – Exatamente. O contabilista deixa de ser um mero despachante e passa a participar da gestão empresarial. No programa ele recebe um módulo para fazer o diagnóstico que mostra se a empresa esta bem no mercado ou não. Ele ajuda os empresários a fazerem cálculos para formação de preços dos seus produtos e serviços. Obtém noções de marketing, gestão de pessoas, etc. Para receber o certificado ele deve ter 75% de participação no programa e fazer um trabalho de campo que consiste em colher dados e fazer o diagnóstico de uma empresa.
Repórter – Quantos profissionais e empresas de contabilidade têm hoje no Distrito Federal?
Cindy – Segundo informações da própria entidade, a base do CRC/DF é composta por aproximadamente 15 mil contabilistas e 4 mil empresas contábeis. O programa ‘Contabilizando o Sucesso’ já capacitou mais de 200 profissionais só no Distrito Federal. Em junho de 2006 começam os encontros da 10ª turma. A meta é que todos os contadores participem deste programa. A idéia é formar uma rede com os profissionais certificados. Outra proposta é criar uma versão do programa para a internet, nos moldes dos cursos de ensino à distância. Pretendemos ainda fazer uma complementação de horas aula para que este programa seja reconhecido como uma pós-graduação.
Repórter – Sendo eu um micro empresário, o que é importante que eu saiba sobre contabilidade para gerir minha empresa?
Cindy – É importante que, além da contabilidade gerencial, você conheça também a contabilidade fiscal. Mas não pode se deter apenas à contabilidade fiscal porque senão você será um mero despachante.
Repórter – Existe diferença de enfoque na contabilidade por segmento comercial?
Cindy – A primeira coisa que o empresário tem que ter em mente quando vai abrir a sua empresa é: ‘que tipo de negócio eu vou abrir’. A partir daí o contabilista faz análise se ele poderá ser uma microempresa, optante pelo ‘Simples’. Daí tem que ver se é o ‘Simples’ estadual ou federal. Isto depende da atividade que a empresa desenvolve, pois nem todas se enquadram nos padrões do ‘Simples’. O faturamento é outro parâmetro a ser analisado. Têm as leis como a número 9.317/96 (Simples Federal), a lei 2.510/99 (Simples Candango), cada uma com suas particularidades, cada uma com suas particularidades. Então, quando um empresário pensar em abrir o seu negócio ele deve primeiro pensar no que vai abrir. Daí analisar o que é permitido ou não no âmbito federal e no âmbito estadual para o seu segmento.
Repórter – E qual é a relação da contabilidade com o sucesso de uma empresa?
Cindy – Se um contador não desenvolve seu trabalho de forma adequada não existe sucesso da empresa. A legislação das microempresas é contraditória quando diz que elas estão dispensadas de fazer balanço. Por exemplo: se uma microempresa procura um agente financeiro sem dados registrados, ele não tem como gerar um balanço para saber se pode ou não emprestar o dinheiro. Na verdade o balanço só não é necessário para efeitos fiscais. O ideal é que as empresas tenham toda sua movimentação financeira registrada no sistema para utilizar as informações quando for necessário. O bom contador faz a contabilidade fiscal e gerencial. Ele não está preocupado apenas com o recolhimento de impostos e em despachar o DARF no final do mês, mas também em assessorar a empresa quando ela se encontra em dificuldades. Ajuda a calcular preços, controlar o fluxo de caixa (contas a receber, contas a pagar), etc. Temos no programa um módulo chamado de ‘monitoramento e aperfeiçoamento’.
Repórter – E quanto aos condomínios, como deve se proceder com a contabilidade nessas organizações?
Cindy – Esta é uma espécie de sociedade atípica. A começar pelo registro que nem é feito na junta comercial e sim em cartório. Trata-se de um tipo de contabilidade bem específica do ponto de vista fiscal. Mas quanto à parte gerencial isto que tratamos no ‘Contabilizando o Sucesso’ é plenamente aplicável, porque um condomínio tem que ser gerido da mesma forma que qualquer outra organização. Os princípios são os mesmos, apenas a contabilidade fiscal é diferenciada de uma empresa comercial.
Depoimentos

Lúcia Martins é contabilista em Taguatinga Norte/DF, onde atende empresas comerciais e prestadores de serviço. Ela concorda com sua colega Rosa Oliveira e acrescenta que “outro dificultador é a concorrência dos colegas que não valorizam o serviço e cobram bem abaixo do preço de mercado. A qualidade do serviço é ruim, mas o próprio cliente não está preparado para receber um serviço de qualidade. Eles acham que a vida toda foi assim e assim deve continuar. A conseqüência é que o cliente não usa a contabilidade para ajudá-lo a tomar decisões, pois acredita que ela só serve mesmo para atender a fiscalização”.