Élton Skartazini

'Este ano vou priorizar o amor. Este ano quero sentir prazer em viver. Quero ser mais simples, mais seguro, mais tranqüilo. Quero estar em harmonia com a natureza, com os outros, comigo mesmo. Este ano, até o fim do ano, vou ser muito, muito mais humano'.
"A Biodanza é um sistema de desenvolvimento do ser humano, através da expressão de seus potenciais genéticos, estruturados em linhas de vivências", explica o chileno Rolando Toro que, no início da década de 70, criou o modelo teórico da Biodanza.
As "linhas de vivência" às quais se refere são as da vitalidade (que mantém e conserva o organismo); da sexualidade (instinto sexual, orgasmo, desejo e busca do prazer); da criatividade (instinto exploratório, impulsos de inovação, adaptação, integração); da afetividade (instinto de solidariedade das espécies, impulsos gregários, criação de vínculos); linha da transcendência (harmonia pela totalidade cósmica, função orgânica que culmina na experiência mística).
Já nascemos com todas estas linhas de vivências que se diferem nas experiências marcantes da primeira infância. Cada uma delas conduz a emoções e sentimentos específicos e interferem umas com as outras. Por exemplo: afetividade tem relação com vitalidade na luta social, altruísmo e trabalho para mudança na comunidade. Sexualidade tem relação com afetividade com incidência direta sobre a vida familiar. A criatividade tem relação com todas elas, pelas formas artísticas com que todas se manifestam.
Dentro da Biodanza os exercícios criados em cada linha de vivência são vivenciados em situação real e induzem à produção de sensações saudáveis de plenitude, afeto e respeitosa vinculação humana. Diferente da psicoterapia, que cura enfermos, o objetivo da Biodanza é desenvolver uma vida mais saudável elevando o nosso potencial.
A psicóloga Sônia Reis adotou a Biodanza como método de trabalho com grupos. Em seu livro "Biodanza - expressão da identidade", publicado em 1993, ela relata histórias de vida e de mudanças de pessoas. Analisou os níveis evolutivos na fase de iniciação, no aprofundamento das vivências e as mudanças radicais constatadas em alguns casos.
A ASP, que defende o "condomínio humanizado", é favorável a todas as experiências humanizadoras.