
Na China, há 2.500 anos, o general e filósofo Sun Tzu escreveu um livro extraordinário: “A arte da guerra”. Objetivas e certeiras como tiros no alvo, suas lições iluminam pensamentos e orientam ações em diversos campos da atividade humana. “Aquilo que ele revela aos povos surpreende a todos, não por ser exótico, mas por ser o óbvio tanto quanto oculto”, diria Caetano Veloso.
Ambientados na Ásia dos impérios, reinados e dinastias, os ensinamentos do mestre são fartamente ilustrados com exemplos vitoriosos e fracassos homéricos, decorrentes da correta ou equivocada aplicação de planos e estratégias. “A arte da guerra é de importância vital para o Estado. É um caminho tanto para a segurança quanto para a ruína. Em nenhuma circunstância deve ser negligenciada”, escreveu Sun Tzu.
Em 13 capítulos, elaborou uma cartilha rigorosamente estudada por militares contemporâneos. “O verdadeiro objetivo da guerra é a paz”, dispara o velho. “Guiado pela lei moral, o governante será seguido às últimas conseqüências por seus governados”. Há que se considerar também as forças da natureza, a geografia, o caráter do chefe, as recompensas para os guerreiros, os métodos e a disciplina. “Os infratores das leis devem ser condenados à morte”.
“Lutar e vencer todas as batalhas não é a glória suprema. O chefe habilidoso conquista as tropas inimigas sem luta”. No terceiro capítulo dá show de inteligência e astúcia. Convence que o cérebro é mais poderoso que os músculos. Ensina como vencer a guerra sem a necessidade do combate, método a que chama de “espada embainhada”.
“O general que vence uma batalha fez muitos cálculos antes de ser travado o combate. Na guerra, o grande objetivo é a vitória. Os bons guerreiros se colocam fora da possibilidade de derrota e depois esperam a oportunidade de derrotar o inimigo”, explica, num raciocínio irretocável. Que ninguém ignore os “pontos fracos e fortes” seus e de seus inimigos; variações de tática; o exército em marcha; terreno; as nove situações; ataque pelo fogo; o emprego de espiões. Estes são os assuntos abordados nos capítulos que se sucedem.
A guerra cotidiana
Este livro, traduzido para quase todos os idiomas, se mantém atual porque seu conteúdo repercute em diversas áreas de interesse e tipos de organização, inclusive condomínios. Síndicos, diretores e executivos devem lê-lo.
Atuante no mercado financeiro e de investimentos, o americano Dean Lundell fez uma releitura do original “A arte da guerra”, adaptando-o para mulheres e homens de negócios e investidores. “Fiquei espantado com o fato de que mesmo após 2.500 anos, a sabedoria e os conceitos de Sun Tzu podiam ainda ser usados para se ter sucesso na batalha travada entre os mercados do mundo”, justifica o autor.
Sun Tzu é leitura obrigatória na hierarquia político-militar soviética. Serviu como fonte de pesquisa para o “Pequeno livro vermelho”, que Mão-Tsé Tung escreveu para os chineses na primeira metade do século XX. Napoleão Bonaparte o estudou à exaustão antes de por em marcha seus exércitos. Luís Felipe Escolari, técnico da pentacampeã seleção brasileira de futebol, usa-o como livro de cabeceira.
“As verdades de Sun Tzu mostram os caminhos da vitória em todas as espécies de conflitos comerciais comuns, batalhas em salas de diretorias e a luta diária pela sobrevivência que todos enfrentamos”, explica James Clavell, que traduziu e adaptou o livro para os americanos.
Essencial, ajuda a entender melhor desde a batalha da vida em comum nos condomínios, até a luta travada no interior de cada um de nós.